Procuradoria Europeia abre a investigação para apurar eventuais fraudes na linha ferroviária em Espanha

Procuradoria Europeia abre a investigação para apurar eventuais fraudes na linha ferroviária em Espanha

A Procuradoria Europeia abriu uma investigação para apurar eventuais fraudes na construção da linha ferroviária de alta velocidade entre Madrid e Sevilha.

RTP / Adicionar como fonte informativa

Os procuradores querem saber se houve irregularidades na adjudicação e execução de contratos financiados com fundos europeus.

A investigação decorre em paralelo às averiguações sobre as causas do acidente.

“A Procuradoria Europeia, em Madrid (Espanha), está a realizar, hoje, diligências de investigação nas instalações do Administrador de Infraestruturas Ferroviárias, da Agência Estatal de Segurança Ferroviária e do Tribunal de Contas de Espanha”
, indica o organismo em comunicado.

Diligências que surgem, esclarece a Procuradoria, “na sequência da abertura de uma investigação sobre uma possível fraude que poderá envolver fundos da União Europeia destinados à renovação e modernização dos sistemas de segurança, sinalização e comunicações da linha ferroviária de alta velocidade Madrid-Sevilha, onde ocorreu o trágico acidente”.

O Administrador de Infraestruturas Ferroviárias confirmou ter sido alvo de buscas.

Os agentes da Unidade Operacional Central (UCO) da Guarda Civil dirigiram-se às sedes da Administração da Infraestrutura Ferroviária (ADIF), da Agência Estatal de Segurança Ferroviária (AESF) e do Tribunal de Contas às 9h30 desta sexta-feira para solicitar documentação que permita apurar se houve desvio de fundos europeus nas obras de manutenção da linha ferroviária de alta velocidade.

Não é a primeira vez que a Procuradoria Europeia inicia uma investigação sobre as obras de construção deste trecho da linha ferroviária de alta velocidade espanhola. Já em janeiro tinha sido aberta outra investigação sobre possível fraude envolvendo fundos destinados à manutenção dessa mesma infraestrutura. Investigação que teve início 11 dias após o acidente ferroviário de Adamuz (Córdoba), em janeiro deste ano, no qual 46 pessoas morreram.

De acordo com o El País, tanto a investigação sobre o alegado desvio de fundos no acidente de Urda quanto o caso Adamuz estão a decorrer em paralelo com as investigações conduzidas por um tribunal em Orgaz (Toledo) e outro em Montoro (Córdoba) para determinar as causas de ambos os acidentes e a existência de responsabilidade criminal.

O Ministério Público Europeu está a tentar apurar se houve apropriação indevida de fundos da União Europeia.


Em ambos os casos, o foco das investigações é determinar como é que o Governo de Espanha gastou a verba de 111.646.340 de euros concedida por Bruxelas em junho de 2024 para a renovação completa da linha ferroviária de alta velocidade Madrid-Sevilha, a mais antiga da Espanha.

A atual investigação conta com o apoio da Unidade Central Operacional da Guarda Civil espanhola e foi aberta por iniciativa da própria Procuradoria Europeia.

A Procuradoria Europeia não estabeleceu, contudo, qualquer relação direta entre as suspeitas de fraude e as causas do acidente de Urda, que envolveu uma composição da Renfe e outra da operadora Iryo.


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